brinquedo sem brincar, telas e estagnação: alguma relação? muito maior do que se pensa!!

Como dizia no artigo anterior, os brinquedos na atualidade já possuem vida própria, ou se esse conceito soa exagerado, pode-se entender que eles já tem tamanha autonomia que não precisam mais que a criança brinque, apenas olhe.


Ativa - leia-se viciada - que sou em redes sociais, atualizava meu facebook nessa segunda-feira e encontrei uma mensagem que cabe perfeitamente no objetivo desse artigo. A mensagem era a seguinte:

****fui criança e não tive Iphone, Wii, Play3, iPad, DSI, Xbox. Eu brincava de esconde-esconde, verdade ou consequência, pega-pega, só ia para casa quando escurecia. Minha mãe não me ligava no celular, só gritava: PRA DENTRO!

Vivia ralado e esfolado. Brincava com amigos, descalço, na areia, no barro e não usava sabonete antibacteriano. Na escola me apelidavam de tudo e eu apelidava também, e ninguém sofria de "bullying". Que infância boa!
Cole no seu perfil se vc já tomou água da mangueira e sobreviveu... ******

O primeiro parágrafo da mensagem reflete exatamente o contraste entre a infância de muitas pessoas - tenho ainda 18 anos e compartilhei dessa infância simplificada - e a das crianças da atualidade, que vivem presas às telas. O dinamismo da vida delas é: da Tv pro computador, do computador para o PSP ou outro videogame qualquer, a caminho da escola,  internet pelo celular ou IPad, o IPod sempre ligado, e assim por diante...

A interação que as crianças têm hoje em dia é a dos jogos virtuais online, com pessoas que eles sequer viram algum dia na vida. A grande atividade física deles está concentrada nos dedos que digitam tão rapidamente e no movimento do mouse. Muitas das crianças hoje mal sabem ler ou escrever, mas conhecem perfeitamente todas as "manhas do GTA" - ouvi muito essa expressão quando trabalhei numa lan - house.

A propósito, essa experiência, que naquele momento não me serviu de nada, enriqueceu muito minha experiência com a realidade virtual em que as crianças estão inseridas. Todos os dias, incontáveis pequenos iam até lá encomendar jogos de X-BOX, Playstation 3 e uma infinidade de outros nomes. Muitos saiam da escola direto para a lan e deixavam lá preciosas 5 ou 6 horas de seu dia na frente da tela de um computador, jogando coisas extremamente violentas e com um repertório de palavrões muito maior que o de leitura e escrita, com certeza!!

As idéias das crianças de hoje estão muito simplificadas, parece até que a criatividade delas sumiu! Elas já não imaginam nada, até as coisas mais obviamente infantis já vêm prontas para elas. Resumidamente: desligamos o computador e a televisão, e tudo o que eles 'pensam' se esvai junto com as imagens. Isso acontece porque é de lá que eles tiram os valores sociais, os padrões a seguirem, os objetos de desejo.

A televisão e a internet já não são mais meios de formação cultural para a maioria das crianças. Transformaram-se em outdoors dentro de casa, porque estão sempre mostrando novas coisas e impulsionando as crianças a adquirir tudo o que veem. Tenho um exemplo concreto disso em casa.

Minha irmã tem 12 anos e, como já disse, eu tenho 18. Ela é viciada em televisão, eu acho uma tremenda perda de tempo, exceto os jornais e o futebol. Ainda hoje guardo lembranças da minha infância: ursinhos de pelúcia de 13 anos atrás, bonequinhas, desenhos que eu fazia quando pequena, e esse tipo de coisa. Ela, por sua vez, as únicas lembranças que tem da infância - isto porque ela já se julga adolescente - são celulares que já não funcionam ou que ela simplesmente abandonou e substituiu, entre eles um mini IPhone, um MP4, um MP3 e mais um monte de lixo tecnológico, que ficou obsoleto com menos de 5 meses de uso. Vivemos cercadas de recursos tecnológicos, e ela compreende a linguagem da internet melhor que muita gente, mas ainda luto para ensinar matemática a ela sem apelar para a simples cópia da calculadora. Ela entende todos os comandos de alguns programas mais sofisticados que tenho instalados em meu notebook, mas ainda tem dificuldades em redação e mal sabe ler e escrever o inglês formalmente ensinado na escola. Todos os dias, ainda tento fazer aquele cérebro trabalhar, no sentido mais amplo da palavra.

Por isso falo com tanta propriedade sobre a imersão das crianças de hoje na realidade tecnológica, ao mesmo tempo em que ficam cada vez mais submersas na ignorância.

 

sexta 07 outubro 2011 16:34


a evolução do relacionamento

Blog de tieeducacao :Tecnologia e Educação, a evolução do relacionamento

quinta 06 outubro 2011 17:53


mudança de valores, conceitos e idéia de infância

Blog de tieeducacao :Tecnologia e Educação, mudança de valores, conceitos e idéia de infância

Vem chegando o dia das crianças, e essa é uma boa época para avaliar a situação da infância na atualidade. Será que alguem além de nós, classe voltada para a educação e formação de crianças, pensa nisso com algum empenho?

Nessa semana, lendo um texto chamado " O mundo do Brinquedo", e outro intitulado "imagens, pensamentos e cenas da meninice inter-ativa"; que na verdade são capítulos de livros que formam a bibliografia básica deste semestre na Universidade, confirmei o que já discutia em casa há muito tempo: A noção de infância está cada vez mais sendo distorcida pelos interesses econômicos dos adultos.

Não precisa ser nenhum universitário, historiador, ou uma pessoa muito velha, para saber que antigamente os brinquedos eram coisas muito simples e que serviam apenas para distrair e divertir os pequenos. Eram bolas de trapos, pedaços de pau que "magicamente" se tornavam cavalos, bonecos feitos com pedaços de madeira, os biscoitos em formato de desenhos que remetiam às crianças...Torna-se imediatamente óbvio para nós que a infância era algo simplificado, delicado.

Com o tempo, o que era apenas uma forma de aproveitar materiais passa a ser mais um mercado - como tudo na sociedade atual, até mesmo a educação é um grande mercado! - e toda a leveza da brincadeira se perde, sendo substituida, aos poucos, pelo consumismo. São criados brinquedos com mecanismos de movimento, novos materiais surgem, e as brincadeiras ficam perdidas no meio do caminho entre o prazer de fazer algo lúdico e imaginativo, e a ambição crescente que o mercado de brinquedos começa a despertar.

O auge das mudanças chega com a utilização plena do plástico na fabricação dos brinquedos e com a representação da realidade que agora eles 'criam'. O avanço tecnológico alcançado pela Revolução Industrial impulsiona toda a sociedade e, não diferente disso, as crianças são bombardeadas de novidades com brinquedos que imitam as grandes invenções (como um bom exemplo podemos citar os trens colecionáveis).

O que acontece, resumidamente, é que vão surgindo cada vez mais especialistas em infância, querendo fabricar sempre os brinquedos mais perfeitos para cada idade - aumentado aí a idéia de necessidade constante de compra, uma vez que as crianças crescem. Os brinquedos são aperfeiçoados constantemente, moldados ao momento atual da sociedade.

Aos poucos, o princípio de que os brinquedos são feitos para aguçar a imaginação dos pequenos é esquecido, suprimido pela visão mercadológica de infância.

Hoje, qualquer pessoa - mesmo que não tenha crianças em casa - sabe que os brinquedos praticamente têm vida própria. São bonecas que reproduzem os comportamentos de bebês, cães eletrônicos que respondem a comandos de voz... Além, é claro, de jogos que implantam a visão capitalista nas pessoas desde bem pequenas ( quem, ultimamente, não tem jogado uma partida de MONOPOLY, ou do novo BANCO IMOBILIÁRIO COM CARTÃO DE CRÉDITO?), as bonecas consumistas e fúteis que impõem padrões de vida e de corpo (porque a Polly e a Barbie têm tudo o que querem e um corpo perfeito!), os jogos virtuais que colocam a criança numa realidade 'paralela' - mas que reproduz muito do contexto real - absorvente e agressiva.

A idéia de diversão e leveza que a infância trazia, está desaparecendo. Dando lugar a uma nova fase da vida - que bem poderia se chamar "projeto adulto-obeso-ignorante", onde a imaginação ficou estagnada, suprimida por brinquedos que brincam sozinhos e reduzem a criança ao papel de mero comprador e espectador.

quinta 06 outubro 2011 15:19


Tecnologia e Alienação Social II

Blog de tieeducacao :Tecnologia e Educação, Tecnologia e Alienação Social II

é...sobram recursos, sobra informação... mas falta conteúdo!!

sábado 17 setembro 2011 15:01


Tecnologia e Alienação Social I

Blog de tieeducacao :Tecnologia e Educação, Tecnologia e Alienação Social I

sábado 17 setembro 2011 14:59


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